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CONSUMO

O Popular - Economia - Dia 09/11/2009

Pobres das Norte e Nordeste consomem mais que os ricos do Sudeste, aponta pesquisa

São Paulo - Os pobres do Norte e Nordeste estão consumindo mais que os ricos do Sudeste. Nos últimos 12 meses até setembro deste ano, as classes D e E das Regiões Norte e Nordeste do País gastaram R$ 8,8 bilhões com uma cesta de alimentos, produtos de higiene pessoal e limpeza. Essa cifra é 5% maior que a desembolsada pelas camadas A e B que vivem no Sudeste do País no mesmo período com esses itens, revela estudo exclusivo da LatinPanel, maior empresa de pesquisa domiciliar da América Latina.

Em igual período do ano passado, a situação era exatamente inversa: o gasto das camadas que compõem a base da pirâmide social no Norte e Nordeste com bens não duráveis havia sido 5% inferior ao das classes A e B do Sudeste. “Houve uma reversão”, afirma Christine Pereira, diretora da empresa e responsável pela pesquisa.

Ela atribui essa mudança registrada no último ano a fatores conjunturais. Inflação em baixa que dá mais poder de compra ao consumidor, ganhos de renda dos trabalhadores que recebem salário mínimo e o fato de a crise não ter afetado as camadas de menor renda explicam, segundo Christine, o avanço do consumo dos bens não duráveis pelos mais pobres. Os dados da pesquisa foram obtidos a partir de visitas semanais a 8.200 domicílios para auditar o consumo de 65 categorias de produtos.

Embora em maior número, as famílias das classes D e E do Norte e do Nordeste têm renda agregada bem menor que a das famílias das classes A e B do Sudeste. No Norte e no Nordeste, há 6,9 milhões de lares que recebem até quatro salários mínimos (R$ 1.860) por mês, o que corresponde a 40% do total de famílias das classes D e E do País. Já as classes A e B somam 4,9 milhões de domicílios no Sudeste ou 45% dos lares desse estrato social do Brasil. Essas famílias têm renda mensal superior a dez salários mínimos (R$ 4.650).

Mínimo

Para o economista chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, boa parte do avanço do consumo dos mais pobres se deve ao aumento real do salário mínimo de 5,7% concedido neste ano. “O salário mínimo pesa muito nas regiões Norte e Nordeste”, diz.

Nas suas contas, a massa real de renda dos ocupados, pensionistas da Previdência e também beneficiários do Bolsa Família cresceu 7,7% no Norte e Nordeste no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2008. O acréscimo é mais que o dobro do registrado para essa população que vive no Sudeste do País, que foi de 3,1% nas mesmas bases de comparação.

Além desse fator, Borges ressalta que a inflação dos mais pobres, que ganham até cinco salários mínimos (R$ 2.325), medida pelo INPC do IBGE, perdeu o fôlego neste ano. Após fechar 2008 com alta de 6,5%, a maior taxa desde 2003, o INPC deve encerrar 2009 com aumento de 4,5%, prevê. (Agência Estado)

Classe C começa a perder atratividade

São Paulo - A classe C, que até pouco tempo atrás era a mais cortejada pela indústria e pelo comércio, começa a perder a atratividade para as camadas inferiores, as classes D e E, que ainda têm pouco acesso ao crediário e a renda menos comprometida com outras despesas, como internet, TV a cabo e prestações do crédito consignado.

Segundo pesquisa da LatinPanel, a classe C das Regiões Norte e Nordeste, que tem renda mensal familiar entre quatro (R$ 1.860) e dez salários mínimos (R$ 4.650) gastou nos últimos 12 meses até setembro deste ano R$ 5,46 bilhões com alimentos, bebidas e artigos de higiene e limpeza. Essa cifra é 35% menor que a desembolsada com esses mesmos produtos pelas camadas A e B da população que vive na região Sudeste.

”As classes D e E passaram a ser olhadas com mais carinho pelos empresários porque estão saindo do estágio de consumo de subsistência”, afirma o economista chefe da LCA Consultores, Braulio Borges.

Christine Pereira, diretora da LatinPanel e responsável pela pesquisa de consumo domiciliar, ressalta que há muitas oportunidades nas Regiões Norte e Nordeste para as indústrias de alimentos e produtos de higiene e limpeza. Ela cita como exemplo cinco produtos que ainda têm pouca presença na cesta de compras da população local de menor renda em relação ao restante do País São eles: creme de leite, leite condensado, maionese, molho de tomate e amaciante de roupas. (Agência Estado)

Última atualização ( Ter, 10 de Novembro de 2009 14:50 )
 

Parlamento improdutivo

O Popular - Coluna da Cileide Alves - Dia 09/11/2009

‘De nada adianta a Assembleia reduzir os mecanismos que hoje restringem sua ação parlamentar, se não há interesse em utilizar-se nem mesmo dos mecanismos já existentes.’

O líder do Governo na Assembleia Legislativa, Evandro Magal (PP), subiu à tribuna quinta-feira para fazer uma reclamação insólita: seus colegas não querem trabalhar. A sessão daquela tarde foi encerrada por falta de quórum, pois apenas 12 dos 41 parlamentares estavam em plenário, uma situação recorrente neste segundo semestre.

“(Deputados) não vêm na Casa; quando vêm, registram presença e saem. Não têm compromisso com a sociedade e com o eleitorado”, acusou o líder, que fez outra revelação grave. “Dia de terça-feira tem de implorar, ligar, ir de gabinete em gabinete (para convocar o deputado). Isso é um absurdo”.

De fato um absurdo. Deputado tem a obrigação de participar das sessões ordinárias às segundas, terças, quartas, quintas e sextas-feiras. Por liberalidade, as sessões deliberativas ocorrem apenas entre terças e quintas e nem assim há quórum. Quem mata serviço não perde salário no contracheque, pois muitos registram presença e caem no mundo. “Tem de mexer no bolso”, provocou Magal.

O líder do Governo chegou a esse extremo porque a ausência de seus colegas atrapalha seu trabalho, que é garantir a votação dos projetos de lei de interesse do governo. Sua bronca, entretanto, expõe que além do governo, a sociedade também perde, mas não há por lá ninguém para defender os interesses da população goiana.

No artigo A Relação entre os Poderes Executivo e Legislativo em Goiás no Período de 1995 a 1998, baseado em sua pesquisa de mestrado e publicado no livro Panorama da Política em Goiás (Editora da UCG), Gustavo Faria Lopes observou que a exclusividade do Poder Executivo goiano de propor projetos de lei que regulam a atividade econômica (os projetos que tratam de assuntos tributários, financeiros e econômicos) garante a este poder uma supremacia em relação ao Parlamento.

Esse tipo de projeto de lei, observa, “distribui recursos altamente divisíveis e, por isso, são preferidos pelos legisladores, pois ampliam consideravelmente as possibilidades de barganha coletiva entre os representantes”. Como o Executivo concentra essa prerrogativa, tem em mãos um poder importante para fazer valer suas preferências no processo legislativo.

Recentemente, a Assembleia aprovou em primeira votação projeto de emenda constitucional (PEC) que concede ao deputado poder para apresentar projetos de lei dessa natureza. Há dois anos, os deputados mudaram o Regimento Interno ampliando o poder de ação da Casa no processo legislativo.


Aparentemente, os deputados estão corretos em mudar o artigo 37 da Constituição do Estado para dividirem com o Executivo o poder de propor matérias relevantes para o Estado. No entanto, por outro aspecto da pesquisa de Gustavo Faria é possível perceber que a produção da Assembleia goiana deixa a desejar até mesmo nas iniciativas que lhe são garantidas por lei.

É o caso das chamadas leis que visam diminuir a violência, proteger o meio ambiente, garantir direitos de minorias, etc. No período da pesquisa de Gustavo Faria, quando ele debruçou-se sobre 868 projetos de lei aprovados pela Assembleia, não houve nenhuma proposta dessa natureza.

O que não deve ter mudado muito hoje. O foco do Parlamento, conforme atestou o pesquisador na época e pode ser percebido hoje, são os projetos que prestam homenagens e concedem títulos de utilidade pública a entidades civis (523 dos 569 projetos de iniciativa do Parlamento aprovados nos quatro anos pesquisados).

De nada adianta a Assembleia reduzir os mecanismos que hoje restringem sua ação parlamentar, se não há interesse em utilizar-se nem mesmo dos mecanismos já existentes, que não são poucos. Para dar qualidade ao mandato, o parlamentar deveria pelo menos participar das atividades internas da Casa, da discussão dos projetos propostos pelo governo, apresentando pareceres ou emendas, e propondo projetos que tratam de assuntos de interesse geral.

A baixa qualidade da atuação parlamentar não é privilégio de nenhum partido – os gazeteiros estão em todas as legendas. Não há um deputado que se sobressaia entre seus colegas pela qualidade de sua ação parlamentar. Os poucos destaques ocorrem apenas no pobre debate entre ser a favor ou contra um grupo político, isto é, no troca-troca de acusações entre tucanos, governistas e peemedebistas.

A continuar a prática atual, o aumento da prerrogativa da Assembleia não terá efeito positivo sobre a qualidade de sua produção. Servirá apenas para aumentar o poder de barganha individual do parlamentar, que certamente será usado a favor de seu interesse pessoal e não no da coletividade. O que precisa mudar é a essência da ação parlamentar, focada apenas em ações políticas voltadas para a reeleição do deputado.

De que adiantará uma Casa com mais poder se ela não exerce nem os que já tem? Para se impor à sociedade, os parlamentares precisam trabalhar naquilo para o qual foram eleitos, isto é, no exercício parlamentar. Se a maioria não vai ao Legislativo nem para votar, imagina esperar qualidade da produção. Um Parlamento assim não faz história, muito menos seus parlamentares.

Última atualização ( Ter, 10 de Novembro de 2009 15:07 )
 

CNJ vai investigar venda de sentenças no Rio

Deu em "O globo"

De Chico Otavio e Cássio Bruno:

Desembargador Roberto Wider terá de explicar amizade com lobista acusado de tráfico de influência no TJ-RJ. O corregedor-geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Gilson Dipp, vai abrir hoje procedimento administrativo para investigar as relações do desembargador fluminense Roberto Wider, corregedor-geral de Justiça do Rio de Janeiro, com o empresário e estudante de Direito Eduardo Raschkovsky. Em reportagem publicada ontem, O GLOBO mostrou que Eduardo usa sua influência junto a magistrados — principalmente Wider — para negociar sentenças judiciais.

— Isso pode até gerar futuramente uma inspeção no Rio. Mas, por enquanto, não se cogita. O procedimento será focado (na denúncia do GLOBO) — explicou Dipp.

O primeiro passo da medida, segundo o ministro, será um pedido de informações a Wider. O corregedor de Justiça do Rio é amigo íntimo de Eduardo, que abriu os salões de sua casa no Itanhangá, na Barra da Tijuca, para várias homenagens ao magistrado, a última delas oferecida no dia 22 de outubro.

Sócio de doleiros investigados pela polícia (um deles por associação ao narcotráfico) e envolvido em manobras obscuras do Grupo Opportunity, o que lhe rendeu uma denúncia de tentativa de corrupção, Eduardo foi acusado por cinco políticos e um advogado, todos em caráter reservado por temer perseguições, de pedir valores entre R$ 200 mil e R$ 10 milhões para protegê-los de decisões sobre impugnação de candidaturas e cassação de mandatos. A assédio começou quando Wider era presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (2006-2008).

O presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), Mozart Valadares, defendeu uma apuração rigorosa das denúncias, ainda que envolvam autoridade do Poder Judiciário do Rio.

Última atualização ( Ter, 10 de Novembro de 2009 15:03 )
 

Leon Deniz: Uma cruzada em defesa da advocacia

Pela primeira vez desde a última eleição para a OAB/GO, em 2006, o candidato da oposição Leon Deniz dá um amplo e corajoso depoimento sobre a campanha e sobre a sua atuação. Também de maneira inédita ele conta por qual motivo rompeu com o grupo que está na OAB/GO há mais de 20 anos (“saí por defender o advogado”) e relata seu início difícil na profissão (filho de caminhoneiro e dona de casa).

Última atualização ( Ter, 10 de Novembro de 2009 15:39 ) Leia mais...
 

Coordenadores da Fenajufe cobram ao CSJT pagamento do auxílio alimentação

A Fenajufe vem recebendo questionamentos, há alguns meses, que em alguns TRTs os servidores estão recebendo o auxílio alimentação de forma irregular. No Rio de Janeiro, por exemplo, o benefício teve seu valor reduzido de R$ 590,00 para R$ 324,00. Outras informações, repassadas à Federação, também dão conta de que em novembro os problemas detectados em alguns estados, em relação ao pagamento do auxílio, seriam estendidos para outros regionais. Para tratar desse assunto, os coordenadores da Fenajufe Zé Carlos Oliveira e Lúcia Bernardes se reuniram, na quinta-feira (06/11), com o secretário executivo do CSJT, Adlei Cristian Carvalho Pereira.

Última atualização ( Seg, 09 de Novembro de 2009 17:45 ) Leia mais...
 
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