Para o presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal em Goiás (Sinjufego), Cezar Prazeres, importa discutir o quantitativo de vagas oferecido. Segundo ele, a oferta de apenas duas vagas é reflexo de uma inversão das prioridades do órgão. O sindicalista conta que, desde 2007, existe no Congresso Nacional um projeto que cria 270 novas vagas para o órgão goiano, e que no entanto está parado por falta de solicitação do próprio TRT.

Seriam criados 180 cargos de nível superior e ainda 170 de nível médio, que por hora eliminariam a atuação de servidores requisitados atuando no tribunal. "Existem hoje cerca de 250 profissionais que não são da carreira atuando no órgão. Isso é extremamente prejudicial porque estas pessoas não estão plenamente habilitadas para o exercício das funções judiciárias", explica Prazeres.

No momento, o Tribunal do Trabalho de Goiás concentra esforços e recursos para a construção de um complexo trabalhista, orçado em torno de R$100 milhões, conforme informou o presidente do Sinjufego. "Acredito que a construção destes prédios tenha dificultado o levantamento de recursos para a nomeação de servidores efetivos", afirma.

Para solucionar a questão, Cezar explica que o TRT deveria, em seu novo plano orçamentário para 2009, incluir a solicitação de verba para convocação destes 270 novos profissionais. "Se isso for realmente colocado em prática, estes servidores já poderão ser convocados no concurso em andamento", aponta, acrescentando ainda que "a medida é extremamente importante, principalmente em um estado onde só existem 650 servidores trabalhistas para atuar em 36 varas".

O presidente do Sinjufego destaca que, no governo Lula, tem sido criadas cerca de 200 mil vagas para o serviço público. "Isso reflete a receptividade orçamentária do governo em ampliar os quadros do serviço público. Contudo, se falta vontade política do tribunal goiano para tal questão, estas novas vagas nunca serão oferecidas de fato", afirma.

Convocações - O presidente Cezar Prazeres destaca que, dentre as principais lutas da categoria, está a realização de campanhas para nomeação de concursados. Responsável pelos servidores da Justiça Federal, do Tribunal Regional Eleitoral e do Tribunal Regional do Trabalho no estado, o sindicato conseguiu nos últimos anos agilizar a convocação de mais de mil servidores.

"Em 2004 conseguimos realizar com sucesso um importante trabalho para nomeação no TRT, além de auxiliar na criação de cinco novas varas em Goiás", conta Prazeres. Nesse contexto, o presidente destaca também a importância da valorização do servidor de carreira, em virtude da qualidade dos trabalhos prestados por um profissional capacitado. A consolidação de um plano de carreiras embasado nas necessidades do servidor é, segundo Cezar, um benefício singular para a categoria. "Com esse plano conseguimos a implantar adicionais por qualificação e treinamento. Isso reflete diretamente na qualidade do serviço prestado pelo poder judiciário", garante.

Falta ainda, segundo o sindicalista, alcançar sucesso em outras questões relevantes, como a manutenção do recesso e a implantação da rotina de seis horas diárias de trabalho. Contudo, a criação de uma política periódica de concursos poderia, segundo Cezar, criar uma atmosfera positiva no que diz respeito ao fortalecimento da carreira e a valorização do profissional.

"O concurso é o meio mais democrático e eficiente que o estado tem para selecionar pessoal. Através dessa medida é possível construir um trabalho baseado no atendimento de qualidade, que vise dirimir as carências do povo brasileiro", pontua. Servidor desde 1991, Prazeres destaca que a eficiência do judiciário é resultado da nomeação e do trabalho bem executado dos milhares de concursados. "Com o concurso público e a valorização do profissional, o Estado só tem a ganhar", finaliza.

Fonte: Marina Góes, Folha Dirigida