Sheila explica que logo na entrada do Sindicato dos Bancários os militantes ligados à luta pela democratização dos meios de comunicação interpelaram a ministra falando sobre a importância da realização da I Conferencia Nacional de Comunicação. O representante da Fitert [Federação Interestadual dos Trabalhadores das Empresas de Radiodifusão e Televisão], Nascimento Silva, de forma objetiva perguntou o que a ministra poderia falar sobre a convocação, por parte do Executivo, da Conferencia Nacional de Comunicação. “Dilma respondeu que este tema não estava na pauta da audiência, mas mesmo assim o assunto entrou no debate, no Teatro dos Bancários”, informa Sheila.

Ao abrir o encontro com a ministra, o presidente da CUT, Artur Henrique, resumiu a pauta de reivindicações da central, afirmando que “emprego deve ser a fórmula prioritária para enfrentar a crise'. Antes de passar a palavra para Dilma, o presidente da CUT criticou a cobertura dos grandes veículos de comunicação sobre a 5ª Marcha Nacional da Classe Trabalhadora, realizada na quarta-feira. Na avaliação de Artur, a imprensa ocultou as bandeiras dos trabalhadores e a dimensão da marcha e deu maior visibilidade para o debate que acontecia no Congresso Nacional sobre o julgamento, no Conselho de Ética, do deputado Paulo Pereira da Silva [PDT/SP], presidente da Força Sindical. De acordo com nota publicada na página da CUT na internet, a maioria dos jornais preferiu associar a mobilização com um inexistente apoio da central ao mandato do deputado.

O presidente da CUT também enfatizou a importância da luta pela democratização dos meios de comunicação e a convocação imediata da I Conferencia de Comunicação, afirmando que esta também foi uma das bandeiras da marcha dos trabalhadores.

Esta reivindicação também foi reforçada pela diretora de comunicação da CUT, Rosane Bertoti, que lembrou à ministra Dilma que o governo federal já convocou mais de 50 conferencias de vários setores e movimentos, como Saúde, Cidades, Mulheres, LGBT, Juventude, Negros e Educação. Rosane disse, ainda, que no encontro preparatório da I Conferência Nacional de Comunicação, realizada na última terça-feira (02/12), em Brasília, o representante do Ministério das Comunicações garantiu empenho para a realização da conferencia em 2009.

A diretora da CUT perguntou à ministra qual a data e a real vontade política para realização da I Conferência Nacional de Comunicação. Dilma Rousseff respondeu que a política atual adotada pelo governo é pela realização de conferencias, mas essa demanda do setor da comunicação ainda não chegou à Casa Civil. Segundo a ministra, não existe razão para que a conferencia não seja realizada, principalmente com o compromisso firmado pelo representante do Ministério das Comunicações.

Defesa dos servidores públicos

O presidente da CUT entregou à ministra cópia dos documentos e da pauta de reivindicações dos trabalhadores, entregues esta semana a vários ministérios, como Trabalho, Planejamento e Fazenda, em audiências na quarta-feira (03/12), logo após a 5ª Marcha Nacional da Classe Trabalhadora. Artur explicou que entre as reivindicações da CUT apresentada ao Ministério do Trabalho de destaca a revogação da Instrução Normativa, do Ministério do Trabalho, que institui a cobrança do imposto sindical para os servidores públicos. Ele ressaltou que o movimento sindical cutista é contra essa cobrança, inclusive no setor privado, e que tal medida não foi debatida com as entidades sindicais dos servidores públicos.

Outra reivindicação apresentada pelos dirigentes da CUT foi a regulamentação da negociação coletiva no serviço público, por meio da ratificação da Convenção 151 da OIT, aprovada esta semana na Comissão de Trabalho e Serviço Público da Câmara dos Deputados. A ministra se comprometeu a analisar todas as reivindicações apresentadas pela CUT.

Fenajufe na luta da comunicação

A coordenadora Sheila Tinoco, que esteve na audiência com a ministra Dilma e também tem representado a Fenajufe nas mobilizações em defesa da I Conferência Nacional de Comunicação, afirma que não é possível falar em um judiciário democrático sem falar em democratização dos meios de comunicação. “Esta bandeira faz parte de nossas lutas, assim como as de gênero, racial, saúde, educação, entre outras”. Sheila avalia que é preciso debater as concessões dos canais de rádio e de televisão e também os conteúdos dos programas oferecidos, inclusive da TV e da Rádio Justiça.

“O acesso ao judiciário passa necessariamente sobre o debate da democratização da comunicação. Temos que analisar a realidade e responder a várias perguntas: Com os avanços tecnológicos, com o processo virtual, temos uma Justiça mais acessível ao povo? Os programas apresentados nas concessões públicas da TV e da Rádio Justiça aproximam a população do Judiciário, ou são verdadeiras propagandas institucionais? Qual o espaço atual reservado para os representantes dos trabalhadores na programação da TV e da Radio Justiça?”, questiona a coordenadora da Fenajufe, ao reforçar a importância da Federação e dos seus sindicatos de base estarem nesta luta, junto com a CUT e demais organizações sindicais e sociais.

Fonte: Agência Fenajufe de Notícias