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Foi lançado ontem, em Brasília, o Cadastro Nacional de Adoção, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que vai integrar as listas de crianças que podem ser adotadas e de candidatos a adotá-las, existentes nas Varas da Infância e Juventude de todo o País. A estimativa é de que o cadastro esteja concluído em seis meses. Em Goiás, o juiz da Infância e da Juventude, Maurício Porfírio Rosa, pretende fechar a digitalização dos dados em 30 dias.

“Nosso objetivo é concluir esse trabalho o mais rápido possível, afinal, a vida de uma criança vale ouro”, declara Maurício Porfírio. Segundo ele, são 457 os candidatos – entre casais e pessoas solteiras – a adotar uma criança que, atualmente, estão cadastrados pelo Juizado. Desse total, afirma, 192 têm preferência pela adoção de meninas e 42 buscam adotar um menino; para 223, o sexo da criança a ser adotada não faz diferença. Todos os interessados no processo de adoção, contudo, desejam levar para seus lares uma criança recém-nascida ou de, no máximo, 3 anos de idade, de preferência de cor branca.

Cultural
“Infelizmente, pelo menos por enquanto, o lançamento desse cadastro não vai mudar essa situação, relacionada a uma questão cultural, que exige mudanças a médio e longo prazo e envolvimento de toda a sociedade”, pondera o juiz. “No entanto, esse cadastro vai facilitar a construção de um mapa, a elaboração de estatísticas e de perfis concretos que possibilitem a discussão e implementação de políticas públicas nessa área, que contribuam para mudar essa realidade”, acrescenta.

Maurício Porfírio frisa que, hoje, o Juizado da Infância e Juventude não possui, nos registros, nenhuma criança menor de 5 anos para adoção. De acordo com ele, as crianças e adolescentes abrigados somam mais de 300, mas todos na faixa entre 5 e 18 anos e nem sempre aptos para adoção, já que o processo só pode ocorrer nos casos em que os pais já tiverem morrido ou sejam desconhecidos, tiverem sido destituídos do poder familiar ou concordarem que os filhos sejam adotados.

No Brasil, segundo estimativa da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), existem hoje 80 mil crianças e adolescentes em abrigos espalhados pelo país, mas somente cerca de 10% deles estão disponíveis para adoção.

Fonte: Patrícia Drummond, Jornal O Popular

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